terça-feira, 30 de junho de 2009
Portas e Caminhos
Escrito por Juliana Amado às 20:26 1 comentários
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O observar
O vidro à sua frente está molhado. O ao lado também. Está chovendo forte e o trânsito está parado.
Enquanto o carro anda em ritmo tartaruga, ele reflete sobre o dia que se passou.
Tem um cigarro acesso, ora nos lábios, ora entre os dedos. O vício do tabaco é um hábito nocivo que o acompanha há algum tempo. desde que começou a se procupar demais e a não deixar a vida fluir. A fumaça lhe é envolvente, mas também deixa seus dentes amarelos e sia boca com um hálito fétido.
Bate a mão de leve no volante, num visível sinal de impaciência e ansiedade. Quer chegar em casa o quanto antes, tomar um copo de conhaque para afugentar os pensamentos que o dominam. Como se o álcool fosse resolver seus problemas. Não resolve. Mas ele acha mais fácil mergulhar num mundo de ilusões.
Ele não chega em casa nunca. Mora num bairro nobre, mas afastado do centro e o trânsito continua parado. A impaciência cresce a cada instante. Tem vontade de sair do carro e berrar todos os palavrões que lhe vêem à mente, mas não o faz.
A chuva aumenta e os pingos grossos batem no seu carro com mais violência.
Desanimado, olha para o lado e começa a observar as pessoas dos veículos vizinhos, como uma forma de passar o tempo. Descobre que a maioria parece indiferente ao trânsito. Uns berram ao celular na tentativa de abafar o som da chuva, outros olham o mundo de carros à sua frente, outros ainda, em carros populosos conversam entre si e dão gargalhadas, talvez estejam contando piadas ou simplesmente lembrando fatos engraçados. Se dá conta de que talvez seja o único verdadeiramente melancólico naquele quilômetro quadrado.
Liga o rádio num canal de música. Está tocando funk, estilo que não lhe agrada. Muda para um canal de notícias. Ouve uma voz de jornalista. E então entende o porque do trânsito estar parado.
percebe que ainda vai demorar muito para chegar em casa. O infeliz continua ali, a tragar o cigarro, a bater no volante e a observar as pessoas. E nem se dá conta do barulho da chuva.
Escrito por Juliana Amado às 23:38 1 comentários
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Festa?
Quando a luz acaba,
acaba-se o mundo,
acaba-se o interior,
acaba-se o preenchimento.
Chega a escuridão,
chega o vácuo,
chega o exterior ou o nada,
chega o vazio.
O sorriso se apaga.
O brilho se apaga.
A vivacidez se apaga.
A sombriedade se acende.
O apaco se acende.
A mortalidade se acende.
Tudo isso é a festa da dor.
Escrito por Juliana Amado às 21:42 1 comentários
terça-feira, 26 de maio de 2009
Último dia
Vento forte, pingos grossos. Ela olhava a chuva através da janela de seu pequeno apartamento. Olhava, mas não via. Seu pensamento estava muito longe para se dar conta da beleza do aguaceiro que caía do céu.
E ela também era do tipo que não percebia a beleza da natureza, ela não conhecia o carpe diem. Era do tipo de pessoa que existia ao invés de viver. Raros eram os momentos em que se permitia viver o presente. Raríssimos.
Naquele momento, ela pensava no trabalho. Aliás, sua vida se resumia a isso: às coisas práticas como acordar, levantar, comer, tomar banho, trabalhar, pagar as contas, dormir. E assim ela seguia sua vida rotineira e robótica.
Tudo era o prático. Não havia espaço para o sentimento. Talvez até houvesse, mas ela havia fechado as portas para aquilo que não fosse tão objetivo.
Os dias iam passando. Um após outro. Todos iguais. E ela não se cansava. Para falar a verdade, até gostava da monotonia, sentia-se confortável assim. Afinal, existir era mais fácil que viver.
Aquele dia era um domingo. Seu dia de folga e o mais temido da semana. Era o dia de fugir da rotina, coisa que ela não sabia fazer. Geralmente visitava os parentes apáticos num bairro distante. Mas em dia de chuva lá enchia, e ela tinha que ficar em casa. Não, não tinha. Ela podia sair, ir ao cinema que ficava a uma quadra do apartamento. Mas ela escolhia a clausura. E olhava a janela, sem nada ver. Se passasse um beija-flor como acontecia de vez em quando, ela nem notaria. À sua frente, em vez do vento forte e dos pingos grossos, ela via as imagens do seu dia-a-dia. A imagem do óbvio, da rotina.
Ela era um robô. Parecia programada para ver apenas a rotina.
E assim ela morreu. O coração parou quando ela estava debruçada na janela, pensando na vida robótica. O vento estava forte e a chuva caía em pingos grossos.
Escrito por Juliana Amado às 23:57 1 comentários
domingo, 17 de maio de 2009
Oco
O oco
da árvore.
O oco
do coco.
O oco
da colméia.
O oco,
o vazio,
o oco.
O espaço
interno.
O oco
da alma.
Escrito por Juliana Amado às 23:26 1 comentários
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Cor
Escrito por Juliana Amado às 23:34 1 comentários
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Metáforas
Azul,
verde,
vermelho,
laranja,
lilás,
dourado,
branco.
Cores.
Sentimentos.
Equivalências, representações.
Ligue os pontos,
as cores,
os sentimentos.
Serenidade,
esperança,
raiva,
alegria,
sono,
luz,
paz.
Escrito por Juliana Amado às 23:25 1 comentários


