Tamara chegou um pouco mais cedo do que previra. Sabia que teria que esperar. Mas, mesmo sendo impaciente, não se importou. No ponto de ônibus tinha lugar para sentar. Em frente tinha uma floricultura. Via o colorido e sentia o aroma.
Porque resmungar a si mesma, por ter calculado mal o tempo? Estava um delicioso dia de primavera. Com sol e a brisa a bater suavemente no rosto e o cabelo a voar.
Porque não aproveitar para sentir o amor que exalava do seu peito? Amor pela vida, pela natureza, pela família e por uma determinada pessoa. Sim, Tamara amava alguém e o tal alguém não sabia.
Mas naquela hora isso não importava. O momento era tão único, ímpar. O amor por tudo simplesmente brotava, sem pedir nada em troca.
As árvores ao redor davam-lhe a sensação de estar nos anos 70. E isso a enchia de mais amor. Amor. Por ela própria, pelo tal alguém, pelas flores, pelo mundo, por tudo.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Dia de primavera
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domingo, 26 de janeiro de 2014
Respostas
Às vezes eu me faço umas perguntas. Cujas respostas poderiam ser um sim ou não. Mas só chego a um talvez. E continuo na dúvida.
Seria bom se eu chegasse a uma resposta definitiva? Poderia mudar minha vida? Poderia. Mas seria do jeito que imagino? A estrada tem tantas curvas. Depois que o carro vira, não o vemos mais. A certeza existe? Ou cada grão de areia é um talvez? A maior parte da vida é um quiçá.
Perguntas, caraminholas.
Perguntas, ponderações.
Perguntas, estudo.
Perguntas, observações.
Perguntas e respostas. Será?
Escrito por Juliana Amado às 16:41 0 comentários
sábado, 25 de janeiro de 2014
Ponta-cabeça
Vendo
eu estou
o mundo
a mudar.
A vida
a girar.
O difícil
aparecer.
Aparecer?
Foi fácil
algum dia?
Testes, provas
a surgirem
de surpresa.
Tempo curto.
Tudo rápido.
A mente gira,
corre,
voa.
Roda gigante
ou montanha-russa?
Ponta-cabeça,
pés pelas mãos.
Medo
de cair
e não levantar.
Mas as pernas
sempre se erguem.
Plantando bananeira,
eu vou.
Escrito por Juliana Amado às 16:35 0 comentários
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Alarme
Cartas na mesa.
Verdade.
Desabafo coletivo.
Ato de ouvir.
Espanto.
Alarme
ou falso alarme?
Dor.
Rebola que vai.
Está na hora do almoço.
Choro.
Prato de comida.
Choro.
Sobremesa.
Dor.
Coração vazio.
Algozes,
eles estão ali na frente.
Com pratos de comida.
Dor.
Sentimento de inutilidade.
Estupidez.
Alarme,
falso alarme.
Que será?
Escrito por Juliana Amado às 16:31 0 comentários
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Serpente
Eu percebi que tinha deixado de ser menina quando tive sonhos diferentes. Que tinham você como um dos personagens.
Tive que ser mulher para saber que não podia te contar o que sonhara. Pelo menos não naquele momento.
Um apartamento. Um mal estar. Uma serpente. O medo. Um colo. Tons pastéis. Azul cintilante.
Fragmentos que vi de olhos fechados, pedaços avulsos que tinham lógica. Suficientes para eu entender o que se passava comigo. Tomara conta de mim um amor quase impossível.
Tive que ser mulher para te amar sem sofrer. Amar apenas desejando o bem.
Amar sonhando e lembrando da serpente azul deslizando no banheiro do apê do sonho.
Escrito por Juliana Amado às 16:28 0 comentários
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Botão Vitória
Outro dia mamãe me deu uma rosa branca. Ela era um botãozinho ainda. Vitória. Foi assim que a nomeei. Vitória, a rosa branca.
Minha bebê tem que crescer forte , assim como todas as crianças, pensei. Para as crianças, as mães dão legumes, verduras, leite, e claro, o tal do Biotônico Fontura que todo mundo tomava nos anos 90, não sei se ainda hoje é assim. Mas para a minha Vitória, eu deveria dar outra coisa. Bem mais simples. Água nova todo santo dia.
Lá fui eu, arrumei um copo de vidro, já que não sei onde fica enfiado o vaso solitário nesta casa. Um copo de cerveja serve para casos de emergência e improviso. Enchi-o até a metade com água, e lá coloquei Vitória.
A cada dia, fui preparando-a para a luta. O botão foi abrindo e eu ia aparando seu caule a cada manhã, para que ganhasse mais força, vitalidade e aguentasse por mais tempo a barra que viria a passar.
Vitória cresceu, amadureceu. Foi levada para o campo de batalha. Sua função era levar um pouco de alegria, de paz, sem se deixar envolver pelas balas e fumaças das trincheiras. Continuou recebendo os cuidados diários da troca da água e do caule aparado. Mas não achei que resistiria tanto tempo, sobretudo para uma rosa. Não é à toa que ela é Vitória.
Hoje faz dez dias que Vitória está comigo. Apresentou os primeiros sinais de velhice. Mas ainda não perdeu a vitalidade. Sim, Vitória ainda vive.
Escrito por Juliana Amado às 16:19 0 comentários
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Um passado que passou e não passou
Há dez anos
eu desaprendi
a sorrir.
Desaprendi
a calma.
Desaprendi
a serenidade.
Desaprendi
as oito horas de sono diário.
Desaprendi
a aprender.
Desaprendi
a viver.
Aprendi
o medo.
Aprendi
a insatisfação constante.
Aprendi
o orgulho ferido.
Aprendi
o sono não dormido.
Passou.
Tudo passou.
A circunstância
não mais existe.
O que veio depois
foram aprendizados
e desaprendizados
inversos.
Mas e as sequelas?
Elas ficam como marca
de um passado
que passou e não passou.
E agora?
O que fazer com as sequelas
dez anos depois?
Eis a questão!
Escrito por Juliana Amado às 00:15 0 comentários

