quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Des-Foco-Nada

Nada fazia sentido. Nada estava ali. A imagem desfocada. Velocidade em foco. As coisas andavam rápido demais. E o mundo girava sem que ele se encontrasse. Ele não se encontrava. Estava perdido. Num monte de coisas. Num monte de nada. Certas coisas eram nada. Nada é nada. Simplesmente nada. Nada. Era ali que ele estava, mesmo sem saber. No meio do nada.
Imagem. Borrada. Era o que ele via. Borrões. Abstração. Lembrou dos artistas malucos. Sim, artistas que pintavam borrões eram malucos. E ainda chamavam aquilo de arte. Era a concepção que ele tinha da arte. Medieval. Arte bonita é arte figurativa. Assim pensava a cabeça dele que estava num meio abstrato. Kandinsky. Era o que a imagem à sua frente lembrava. Ou seria Miró? Ou Beatriz Milhazes? Não sabia.
As coisas iam correndo. Voando. E nada se via. Como um trem em movimento. Ou um carro participando de um pega.
Nada, nada. Tudo. Nada. O sentido era como um tubo de aspirador. Um monte de lixo. Quase tudo borrado e indefinível.
Ele foi embora. A pé. Pisando no emaranhado. Para onde ele foi? Não há como saber. Talvez tenha virado um borrão. Um desfoque.

1 comentários:

Fabrício Romano disse...

Palavras bem colocadas. Gostei. Grande abraço.

©2007 '' Por Elke di Barros